| Poesia Gaúcha | |
| Autor: Wilson Araújo Um galpão, um fogo de chão, Autor: Wilson Araújo Poesia Gaúcha! |
sábado, 21 de junho de 2008
Essências
Aqui estou, Sr. Inverno
Poesia Gaúcha!
Autoria: Aureliano de Figueiredo Pinto
Já sei que chegas, Inverno velho!Já sei que trazes - bárbaro! O frio
e as longas chuvas sobre os beirais.
Começo a olhar-me, como em espelho,
nos meus recuerdos... Olho e sorrio
como sorriram meus ancestrais.
Sei que vens vindo... Não me amedrontas!
Fiz provisões de sábias quietudes
e de silêncios - que prevenido!
Vão-se-me os olhos nas folhas tontas
como simbólicos ataúdes
rolando ao nada do teu olvido.
Aqui me encontras... Nunca deserto
do uivo dos ventos e das matilhas
de angústias vindo sem parcimônias.
Chega ao meu rancho que estou desperto:
- sou veterano de cem vigílias,
sou tapejara de mil insônias.
Aqui estarei... Na erma hora morta,
junto da lâmpada, com que sonho,
não temo estilhas de funda ou arco.
Tuas maretas de porta em porta,
os teus furores de trom medonho
não trazem pânico ao bravo barco.
Na caravela ou sobre a alvadia
terra do pampa - cerros e ondas
meu tino e rumo não mudarão.
No alto da torre que o mar vigia,
ou, sem querência, por longas rondas,
não me estrangulas de solidão.
Tua estratégia de assalto e espera
conheço-a muito, fina e feroz:
de neve matas; matas de mágoa;
derramas nalma um frio de tapera;
nanas ausências a meia voz
e os olhos turvos de rasos d'água.
Comigo, nunca... Se estou blindado!
Resisto assédios, que bem conduzes,
no legendário fortim roqueiro.
Brama as tuas fúrias de alucinado!
- Fico mais calmo que as velhas cruzes
braços abertos para o pampeiro.
Os meus fantasmas bem sei que animas
para, num pranto de vãs memórias,
virem num coro de procissão
trazer-me o embalo de velhas rimas.
- À intimidade dessas histórias
tenho aço e bronze no coração.
Então soluças pelas janelas,
gemes e imprecas pelos oitões,
galopas louco sobre as rajadas,
possesso, ululas entre procelas.
E ébrio, nas noites destes rincões
lampejas brilhos de punhaladas.
Inútil tudo! Vê que estou firme.
Nenhum receio me turba o aspeto,
nenhuma sombra me nubla o olhar.
Contigo sempre conto medir-me
frio, impassível, bravo e correto
como um guerreiro que ia a ultramar.
Reconciliemo-nos, velho Inverno!
Nem és tão rude! Tão frio não sou...
Venha um abraço muito fraterno.
Olha...
Esta lágrima que rolou
não a repares...
É de homenagem
a alguém que aos céus se fez de viagem,
e nunca... nunca! Nunca mais voltou...
Autoria: Aureliano de Figueiredo Pinto
Poesia Gaúcha!quinta-feira, 22 de maio de 2008
Pedro Ortaça
"Pedro Ortaça, surgiu após os grandes luminares Jayme Caetano Braun e Noel Guarany, e ao mesmo tempo que Cenair Maicá.
Ele veio de baixo e silenciosamente, como um veio d'água que traz em si os íntimos segredos da terra de que brota. Afirmou-se pelos anos, ombreou-se com seus irmãos da mesma luta.
Afinou sua guitarra pelo timbre dos sinos das catedrais jesuíticas que o tempo fez ruir; alteou seu canto com reflexos de picumã galponeiro pelos 4 pontos cardeais do estado; superou as fronteiras da "pequena pátria" e hoje é conhecido como uma das mais originais expressões da terra, do povo e dos costumes das Missões.
Ele, sua viola e sua voz, não apenas canta e toca. Ensina, agride, protesta e toma posições.
Divide, o seu talento porque sabe e conhece e proclama que os "missioneiros", de nascimento ou por adoção anímica, são uma única e potente voz a reverenciar, os legados de flor e lança, sangue e sêmen que lhes deixou os 7 Povos.”
fonte:
Apparicio Silva Rillo
São Borja, 4/7/89
nascido lá no Pontão.
Sempre cantei minha terra,
com raça, fibra e garrão.
Queira Deus que eu cruze o mundo
sem nunca negar o meu chão."
Pedro Ortaça
Timbre de Galo
Pedro Ortaça
Composição: (Aparício Silva/Rillo/Pedro Ortaça)
Rio Grande, berro de touro,
quatro patas de cavalo.
Quem não viveu este tempo,
vive esse tempo a cantá-lo
e eu canto porque me agrada
neste meu timbre de galo.
É verdade que alguns dizem
que os tempos de hoje são outros,
que o campo é quase a cidade
e os chiripás estão rotos,
que as esporas silenciaram
na carne morta dos potros...
Cada um diz o que pensa -
isso aprendi de infância,
mas nunca esqueça o herege
que as cidades de importância
se ergueram nos alicerces
dos fortins e das estâncias.
Não esqueça, de outra parte,
para honrar a descendência,
que tudo aquilo que muda,
muda só nas aparências
e até num bronze de praça
vive a raiz da querência.
Eu nasci no tempo errado
ou andei muito depressa,
dei ó de casa em tapera,
fiquei devendo promessa
mas se pudesse eu voltava
pra onde o Rio Grande começa.
E se me chamam de grosso,
nem me bate a passarinha.
A argila do mundo novo não
tem a mescla da minha,
sovada a cascos de touro,
com águas de carquejinha...
Rio Grande, berro de touro,
quatro patas de cavalo !
Quem não viveu esse tempo
vive esse tempo ao cantá-lo,
e eu canto porque me agrada
neste meu timbre de galo...
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Esquilador - Telmo de Lima Freitas

Uma das mais belas canções gaúchas de todos os tempos: Esquilador de Telmo de Lima Freitas.
9ª CALIFÓRNIA 1979 - 1º LUGAR: ESQUILADOR
Quando é tempo de tosquia
já clareia o dia com outro sabor,
As tesouras cortam em um só compasso
enrijecendo o braço do esquilador
Um descascarreia, outro já maneia
e vai levantando para o tosador
Avental de estopa, faixa na cintura
e um gole de pura pra espantar o calor.
Alma branca igual ao velo
tosando a martelo quase envelheceu
Hoje perguntando para a própria vida
p'ronde foi lida que ele conheceu
Quase um pesadelo arrepia o pelo
do couro curtido do esquilador
Ao cambiar da sorte levou um singronaço
ouvindo o compasso tocado à motor.
A vida disfarça lembrando a comparsa
quando alinhavava o seu próprio chão
Envidou os pagos numa só parada
33 espada mas perdeu de mão
Nesta vida guapa vivendo de inhapa
vai voltar aos pagos para remoçar
Quem vendeu tesouras na ilusão povoeira
volte pra fronteira para se encontrar.
Comunidade no Orkut de Telmo de Lima Freitas:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1151035
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=14833654
Rio Grande de 35
Rio Grande de 35
dos passados de vitória
que duraram quase 10 anos
nosso passados de glória
Aqui vai o meu abraço
e um forte aperto de mão
aos gaúchos que lutaram
em defesa deste chão